“O objetivo do marketing é conhecer e entender tão bem o cliente que o produto ou serviço se ajuste a ele e se venda sozinho.” Peter Drucker já destacava o espírito do que considero ser o verdadeiro motor de crescimento das empresas no cenário atual: o relacionamento.
O relacionamento com o cliente deixou de ser uma simples troca de mensagens para se tornar uma estratégia complexa e altamente personalizada. Não basta mais disparar campanhas de marketing; é preciso transformar dados em contexto e contexto em ações que removam obstáculos, antecipem necessidades e ofereçam experiências sob medida em escala. Essa abordagem integrada tem impacto direto na receita e na retenção, além de otimizar custos operacionais.
Trata-se de transformar dados em contexto, e esse contexto em ações que removem obstáculos, antecipam necessidades e oferecem experiências sob medida em escala. Essa abordagem integrada tem impacto direto na receita e na retenção de clientes, além de otimizar custos operacionais. Pode parecer trabalhoso, mas quero, neste artigo, provar que não é.
Pela minha experiência, ao se aprimorar o matching entre oferta + momento + pessoa, as empresas conseguem aumentar o ticket médio, estimular recompras e promover novas vendas com técnicas de cross-sell, down-sell e up-sell. Quando as ações são mais precisas e oportunas, o cliente percebe valor na interação e se sente valorizado, o que eleva o engajamento e, consequentemente, a receita e as conversões.
Além disso, o relacionamento digital proativo é uma poderosa ferramenta para que ninguém cancele ou desista da compra. Ao criar jornadas que antecipam riscos de abandono, enviar alertas de risco e oferecer ofertas de retenção no canal adequado, as empresas mantêm o cliente engajado e satisfeito. O suporte contextual, que responde às necessidades no momento certo, reforça a fidelidade e reduz a rotatividade.
Philip Kotler já lembrava que “ganhar um novo cliente custa de 5 a 7 vezes mais do que manter um existente.” Aqui entra outro benefício do relacionamento digital: a eficiência. Automação de processos e qualificação inteligente de contatos reduzem o custo de aquisição de cliente (CAC) e evitam desperdícios. Mais do que economizar, trata-se de manter a cadência de comunicação na medida certa, sem sobrecarregar os recursos. Afinal, mídia paga compra atenção, mas só o relacionamento conquista confiança.
Para implementar uma estratégia de relacionamento digital eficiente, é fundamental compreender o papel de três tecnologias essenciais:
A customer data platform (CDP) atua como o cérebro da operação, resolvendo a questão da identidade do cliente, unificando dados de diversas fontes e criando perfis completos. Ela armazena informações em tempo quase real, enriquece os perfis com scores e atributos e envia audiências segmentadas para os demais sistemas de execução.
Já a customer engagement platform (CEP) é o motor de engajamento, responsável por orquestrar jornadas, decidir a “próxima melhor ação” e ativar mensagens nos canais digitais. Sua força está na capacidade de realizar experimentações, testar diferentes abordagens e ajustar ações em tempo real, garantindo uma experiência personalizada e relevante.
E, por último, mas não menos importante, o customer relationship management (CRM) serve como o registro oficial do relacionamento, armazenando contas, contatos, oportunidades, tickets e SLAs. É a camada de gestão do pipeline de vendas e do atendimento humano, sendo fundamental para operações que envolvem interação direta com o cliente.
Em linhas gerais, se a empresa precisa unificar dados e acabar com listas divergentes, o ideal é começar pela CDP. Quando o desafio é ativar jornadas e escalar personalização, priorize o CEP. Se o gargalo está em vendas, atendimento e pós-venda, fortaleça o CRM. E, em operações maduras, você terá os três, cada um fazendo o que faz melhor.
Alexandre Azevedo é head of Planning na aunica.
*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo.
Imagem: Envato
