Na abertura da Imersão Varejo Raiz, evento criado por Rubens Inácio, fundador da marca TXC e das lojas Texas Center, e dedicado a reunir lojistas e profissionais apaixonados pelo varejo, o anfitrião subiu ao palco com a mesma energia que marca seu estilo de liderança. Com seu jeito direto e sem formalidades, avisou: “Aqui não tem cerimonial. É raiz mesmo, sou eu que vou tocar essa bagaça.” O público entendeu na hora o recado. Ali, o foco não seria o espetáculo, e sim o conteúdo. O Varejo Raiz é um encontro para quem vive o dia a dia da loja, encara os desafios do balcão e busca novas formas de fazer o negócio prosperar.
Rubens falou com autenticidade e proximidade. Ele não se posiciona como um palestrante distante, mas como alguém que compartilha experiências de gestão, vendas e cultura empresarial. Logo no início, fez questão de lembrar que o varejo é a base de tudo o que movimenta a economia brasileira. “Todo mundo vende alguma coisa, nem que seja o seu tempo”, afirmou. Para ele, o vendedor é o coração do País, o profissional que transforma esforço em oportunidade e que deve sentir orgulho do que faz.
Entre reflexões e momentos de descontração, Rubens mostrou que o sucesso de uma marca começa nas pessoas e nos valores que ela representa. Em um dos momentos mais marcantes, convidou o público a se unir em oração, pedindo que Deus abençoasse os empreendedores e seus negócios. Fé, família e patriotismo apareceram ali como partes da cultura que ele constrói em suas empresas e que, segundo ele, também sustentam o verdadeiro varejo brasileiro.
A Imersão Varejo Raiz começava mostrando a que veio. Mais do que um evento sobre vendas, era uma celebração da coragem de empreender. E, para Rubens Inácio, essa coragem tem nome: vendedor.
Todo mundo é vendedor: o resgate do orgulho de vender
Quando Rubens Inácio diz que “todo mundo é vendedor”, ele não fala apenas sobre profissão. Fala sobre essência. Para ele, vender é mais do que uma transação. É um ato de gerar movimento, de transformar esforço em valor e de conectar pessoas. “Todo mundo aqui vende alguma coisa, nem que seja o seu tempo”, disse, olhando para o público. A frase soou como um lembrete e, ao mesmo tempo, um chamado.
Rubens provocou os lojistas presentes a olharem para a palavra vendedor com respeito e orgulho. Ele contou que, muitas vezes, profissionais do varejo tentam mascarar sua função com outros títulos, como “gestor de performance” ou “analista comercial”. E foi direto: “Não precisa inventar nome bonito. Ser vendedor é algo nobre. É o vendedor que sustenta o negócio e que faz a roda da economia girar”. Essa mensagem, simples e poderosa, arrancou aplausos e sorrisos de quem estava ali porque vive exatamente isso no dia a dia da loja.
Ao defender o papel do vendedor, Rubens falou também sobre prosperidade. Segundo ele, prosperar é consequência natural de quem trabalha com fé, coragem e atitude. Mas há um detalhe: não existe prosperidade para quem vive reclamando. “Não dá para prosperar reclamando e sem fé”, repetiu. A frase virou quase um mantra entre os participantes. Ele reforçou que o sucesso de uma empresa começa na mente de quem vende. Um vendedor motivado, que acredita no produto e na marca, transmite confiança ao cliente. E a confiança, mais do que preço, é o que faz alguém voltar a comprar.
O discurso de Rubens foi direto ao ponto: o varejo é feito de pessoas que acreditam no que estão vendendo. É essa crença que transforma um balcão em um ponto de conexão com o cliente. Por isso, ele insiste que vender não é apenas uma função comercial, mas um ato de construção de valor, tanto para o negócio quanto para quem o conduz.
Marcas com alma e identidade
Ao entrar no tema das marcas, Rubens Inácio falou como quem vive o varejo de dentro para fora. Ele contou que cada empresa que construiu nasceu de um sentimento, de uma verdade que se transformou em negócio. Não foi uma ideia de marketing que o levou a criar uma marca, mas a própria vida no campo e no comércio. “O cavalo me trouxe até aqui”, disse. O cavalo, símbolo constante em sua trajetória, representa movimento, força e lealdade, os mesmos valores que ele defende como base de qualquer marca sólida.
Rubens explicou que uma marca sem identidade é como uma loja sem dono. Ela pode até existir, mas não tem alma. Por isso, defende que toda marca precisa ter uma causa clara, uma forma autêntica de se conectar com quem está do outro lado do balcão. “A gente não vende roupa, a gente vende uma ideia”, afirmou. Essa frase resume sua filosofia de marca: o produto é apenas o veículo de uma mensagem. O que realmente fideliza é o que a marca representa.
Para ele, as pessoas não compram apenas produtos, compram histórias. Por isso, as marcas precisam refletir o modo de viver e os valores de quem as criou. Foi assim que construiu empresas que misturam o agro, o sertanejo, a família e o patriotismo, transformando tudo isso em estilo e propósito. O resultado é um negócio que fala com o público de maneira verdadeira, sem se afastar de suas raízes.
Rubens reforçou que o segredo de uma marca inesquecível está em fazer o cliente sentir que pertence àquela história. “A gente cria a marca, mas quem constrói é o cliente”, disse. Segundo ele, o cliente fiel é quem dá vida à marca, compartilhando experiências, defendendo valores e gerando recomendações espontâneas. É essa troca que cria identidade e faz uma marca deixar de ser um logotipo para se tornar uma comunidade.
Cinco lições de fidelização que todo lojista pode aplicar
Entre tantas histórias, provocações e exemplos do dia a dia, Rubens Inácio deixou claro um ponto essencial: o sucesso de uma loja não depende de ter mais clientes, e sim de saber cuidar melhor dos que já existem.
A seguir, estão cinco ensinamentos que ele compartilhou na Imersão Varejo Raiz e que todo lojista pode aplicar imediatamente.
- Conheça de verdade o seu cliente: Rubens contou que acompanha pessoalmente as redes sociais de seus principais clientes. Não por curiosidade, mas por estratégia. Ele quer saber o que consomem, como se comportam e o que valorizam. Para ele, conhecer o cliente vai muito além de preencher um cadastro. É entender a rotina, as preferências e os motivos que o fazem voltar à loja. “O convívio gera venda”, disse. E essa é uma das frases que melhor sintetizam sua forma de enxergar o varejo.
- Use as redes sociais para criar vínculo, não apenas para vender: Segundo Rubens, o erro de muitos lojistas é transformar as redes sociais em panfletos digitais. A melhor comunicação é aquela que desperta conexão, e não apenas desejo de compra. Ele recomenda acompanhar o cliente de forma próxima, mostrando o que a marca acredita, compartilhando histórias reais e celebrando conquistas junto com a comunidade. É assim que uma rede social deixa de ser vitrine para se transformar em canal de relacionamento.
- Transforme o cliente em influenciador: Rubens acredita que o verdadeiro influenciador da marca é o cliente fiel. Ele contou o caso de Lorenzo, um produtor rural que virou o rosto de campanhas por representar exatamente o público da marca. Para Rubens, o consumidor satisfeito é a melhor publicidade possível, porque fala com autenticidade. O desafio do lojista é criar experiências que mereçam ser compartilhadas — o tipo de marketing que nasce da vida real.
- Fidelizar é mais rentável do que conquistar: “Você está construindo um negócio para vender produto ou para ter clientes que compram sempre?”, perguntou Rubens ao público. Ele explicou que os maiores resultados vêm da recorrência, e não da corrida por novos clientes. Citou o caso de sua rede, em que grande parte das vendas vem de consumidores que compram várias vezes ao ano. Fidelizar custa menos, dá previsibilidade e gera base sólida para crescer com segurança.
- Escute com coragem: Rubens contou que, em suas lojas, faz questão de conversar com clientes e pedir opinião. “Senta aqui, me fala o que eu posso melhorar.” Ouvir o cliente exige humildade, mas é isso o que garante a evolução constante da marca. O lojista que se dispõe a escutar e ajustar sua estratégia de acordo com o feedback tem mais chance de construir uma empresa que permaneça relevante por muitos anos.
Fidelizar, segundo Rubens, é uma forma de respeito. É reconhecer o valor de quem já confia no seu negócio e retribuir essa confiança com atenção e presença. E, como ele lembrou durante a palestra, “o cliente fiel é o maior patrimônio que uma marca pode ter.”
Cultura, fé e propósito: os pilares invisíveis da marca
Ao longo da palestra, Rubens Inácio mostrou que a força de uma marca não está apenas em estratégias de marketing ou números de vendas, mas nos valores que sustentam o negócio. Ele falou com emoção sobre como fé, família e patriotismo formam o tripé cultural de suas empresas. Esses elementos, segundo ele, não são apenas símbolos, mas princípios que orientam decisões e comportamentos diários. “O que a gente vende é aquilo em que a gente acredita”, resumiu.
Rubens defende que cultura empresarial é o que o cliente sente quando entra na loja: são o ambiente, a forma de atendimento, a energia das pessoas. Por isso, valoriza gestos simples, como manter uma bandeira do Brasil exposta ou ter um espaço de oração em suas unidades. São detalhes que expressam identidade e reforçam um senso de pertencimento, tanto para colaboradores quanto para consumidores. Ele acredita que a coerência entre o que a empresa acredita e o que ela pratica é o que realmente gera confiança e diferencia uma marca no mercado.
Durante a fala, destacou também a importância da lealdade e da disciplina dentro da equipe. Disse que é possível ensinar técnicas de venda, mas não é possível ensinar caráter. “Lealdade começa no espelho”, afirmou, lembrando que a relação de confiança com o cliente só existe quando há respeito e verdade dentro da própria empresa. Essa visão humana e espiritual sobre negócios inspira muitos lojistas a olharem para dentro antes de buscar resultados fora.
Rubens reforçou ainda que prosperar é diferente de simplesmente ter sucesso. Para ele, sucesso é alcançar metas, mas prosperar é crescer com propósito, mantendo equilíbrio entre o financeiro e o emocional. Esse é o tipo de mentalidade que ele tenta transmitir aos times: vender é importante, mas servir e inspirar são o que dão sentido ao trabalho. E, para os lojistas, o aprendizado é claro: quando a cultura é forte e coerente, o cliente percebe e confia.
Propósito com lucro: o novo estágio do varejo
Ao final de uma de suas palestras na Imersão Varejo Raiz, Rubens Inácio falou sobre algo que poucos empreendedores têm coragem de admitir: é possível, e necessário, buscar propósito e lucro ao mesmo tempo. Segundo ele, essa é a maturidade do varejo moderno. Durante anos, suas empresas foram movidas principalmente por propósito, mas chegou o momento de equilibrar propósito e rentabilidade. “Agora é propósito com dinheiro”, afirmou, mostrando que não há contradição entre ter valores e gerar resultado.
Rubens explicou que, para prosperar, o lojista precisa dominar também os bastidores do negócio. É essencial ter previsibilidade, governança e clareza sobre o fluxo de caixa. “Não dá pra crescer sem controle”, destacou. E é nesse ponto que a tecnologia se torna uma aliada. Soluções de gestão para o varejo ajudam os lojistas a transformar propósito em resultado, fornecendo dados precisos, acompanhamento financeiro e informações sobre o comportamento de compra dos clientes. Essa organização dá base para decisões mais inteligentes e sustentáveis, algo que Rubens valoriza muito em sua forma de gerir.
Ele contou que, ao longo da trajetória, já viveu erros e acertos, mas que aprendeu o valor da disciplina e da constância. “Negócio bom não é o que cresce rápido, é o que cresce certo”, disse, reforçando que o crescimento saudável vem de equipes alinhadas e processos bem estruturados. Com planejamento, clareza e fé, o lucro deixa de ser um objetivo isolado e passa a ser consequência natural de um trabalho bem feito.
Rubens encerrou sua fala de forma simbólica, mostrando uma foto de sua família e dizendo: “Esse é o meu patrimônio”. Foi a maneira mais simples e verdadeira de resumir tudo o que acredita. Para ele, construir uma marca inesquecível é construir algo que dure, que tenha significado e que melhore a vida das pessoas. É um legado que ultrapassa o balcão e inspira lojistas a enxergar o negócio não apenas como comércio, mas como contribuição.
Na plateia, ficou o sentimento de que o varejo brasileiro é feito por quem acredita. Por quem acorda cedo, enfrenta desafios e continua vendendo não apenas produtos, mas ideias, valores e sonhos. E essa talvez seja a principal lição de Rubens Inácio: no varejo, a marca que permanece é aquela que tem alma, propósito e coragem de servir.
Stéfano Willig é CEO da Awise QuantoSobra.
*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo.
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