As novas gerações têm transformado o mercado de trabalho. Os jovens chegam às empresas com expectativas diferentes em relação a propósito, flexibilidade, autonomia e desenvolvimento acelerado, enquanto as empresas ainda buscam equilibrar produtividade, engajamento e retenção de talentos. Como liderar as novas gerações? Essa foi uma das perguntas feitas por Marcos Gouvêa de Souza, fundador da Gouvêa Ecosystem, a dez líderes do varejo e da indústria nacional reunidos no megapainel de encerramento da 10ª edição do Latam Retail Show, sponsored by IBM, em São Paulo.
Um ponto em comum é a necessidade de reinventar constantemente o modelo de liderança. Escuta ativa, curiosidade, autenticidade, vulnerabilidade e inspiração foram citadas como atitudes essenciais para criar conexões reais com os mais jovens. Mais do que impor métodos antigos, os executivos destacaram a importância de aprender com as novas gerações, abrir espaço para a inovação que vem da ponta e transformar propósito em prática — fatores que se tornam decisivos para engajar e reter talentos em um mercado cada vez mais competitivo.
Confira, a seguir, o que cada líder tem feito para se manter conectado às novas gerações.
Belmiro Gomes, CEO do Assaí Atacadista
“É preciso não somente saber se comunicar com as novas gerações, mas principalmente orientar os líderes, porque o mesmo líder que era bom 20 anos atrás já não é visto da mesma forma. Nós, líderes, temos que estar nos reinventando constantemente para a nova realidade. Não adianta achar que as ferramentas do passado vão servir para essa geração que está aí.”
Peter Furukawa, CEO das Lojas Quero-Quero
“Você tem que se enriquecer do conteúdo para continuar sendo um bom líder. Além disso, é preciso não só motivação, mas inspiração. O que faz a diferença é você inspirar a pessoa. Por que ela tem que ser melhor? O que ela considera ser melhor? As gerações têm mudado e você tem que perceber como é que elas valorizam cada uma dessas coisas.”
Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza
“Eu sou ‘fuçativa’, estou sempre aprendendo, sou inacabada. E estou muito na ponta, escutando públicos diferentes, mulher, jovem, criança. Eu vou pro Sertão e sou autêntica. Eu sou eu. Eu não posso abrir mão do que eu acredito. Nós temos que dar nossa contribuição pra deixar coisa pros nossos netos. Um mundo melhor pra povo.”
Rafael Sales, CEO da Allos
“O que eu tento manter na liderança é a curiosidade. E outra coisa importante é a autoconsciência sobre as suas limitações. Ao você tentar explorar isso de uma forma verdadeira, você acaba contratando pessoas complementares e não fica obsoleto. E nunca deixar de ir na ponta, ir lá no consumidor, visitar a dificuldade, conhecer o que está acontecendo.”
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Sergio Zimerman, CEO da Petz
“Liderar é você fazer com que o outro faça o que ele quer e que coincide com o que você quer. Isso tem muito a ver com a liderança servidora. O presidente não está no cargo para ser servido, está no cargo para servir. Quando você tem essa consciência, o processo de liderança se instala automaticamente, porque as pessoas reconhecem que você está lá para ajudá-las.”
Paula Andrade, vice-presidente de Omnicanalidade da Natura
“Eu acho que nunca foi tão necessário fazer upskilling mais constante em relação aos conhecimentos e a nós mesmos. A gente precisa entender que a inovação vem dos jovens, das camadas com menos liderança da organização. Então, o nosso papel é fazer emergir a inovação e trazê-la para um escopo maior.”
Silvina Mirabella, General Manager Retail Brazil da EssilorLuxottica
“É preciso entender onde estamos e adaptar nosso modelo de liderança para acolher essas novas gerações. Entender o que elas querem e quais são os seus valores, ter essa escuta ativa, tanto para o nosso consumidor quanto para as pessoas que trabalham nas lojas e no escritório. Tentar fazer com que esses jovens possam abraçar nossa missão e nosso propósito.”
Barbara Miranda, CEO da AmPm
“O desafio de se manter relevante tem tudo a ver com essa curiosidade, com o autodesenvolvimento, mas é óbvio que também tem muito a ver com a paixão de cada um. Você não se obriga a ser um bom líder. Você tem esse desejo genuíno e de uma maneira muito autêntica. Você consegue ser verdadeiro com as pessoas que você lidera e deseja inspirar.”
Luciana Staciarini Batista, presidente da Coca-Cola Company para Brasil e Cone Sul
“Para se manter relevante, é preciso olhar para a frente e para as novas gerações, que muitas vezes trazem provocações e adotam inovações muito mais rapidamente do que a gente. Estar próximo dessas pessoas das novas gerações é uma questão de aprendizado. Além disso, estar perto do time e dar espaço para eles poderem criar e fazer o que é relevante para o público.”
Andre Farber, CEO da Riachuelo
“Quando as pessoas sentem verdade, elas se conectam, e isso vale para as novas gerações. E uma das formas de comunicar essa verdade, de trabalhar isso, é demonstrar a vulnerabilidade, demonstrar que você está aprendendo, que você não sabe de tudo, reconhecer o erro. Acho que as pessoas se conectam muito com as histórias reais, com a verdade.”
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