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Home Mercado&Consumo

Varejo americano nunca fechou tantas lojas como em 2017

Redação de Redação
10 de abril de 2017
no Mercado&Consumo, Notícias, Projeções econômicas, Varejo
Tempo de leitura: 3 minutos

O combalido setor do varejo americano sofreu novos golpes esta semana, com lojas nas duas pontas em graduação de preço se preparando para fechar as portas.

De um lado, a Payless, rede de sapatarias com preço econômico, pediu concordata, anunciando planos de fechar centenas de lojas. Do outro lado, a sofisticada Ralph Lauren informou que vai encerrar a operação de sua loja da marca Polo na Quinta Avenida, em Nova York, um símbolo do antigo circuito de compras de luxo que não casa com os hábitos atuais do consumidor.

Outra que terá baixas é a grife de moda jovem Rue 21, que pode estar perto de quebrar. A rede, que conta cerca de mil filiais no país, se prepara para pedir concordata ainda este mês, segundo pessoas próximas à companhia. Poucos anos atrás, o negócio foi vendido para a Apax Partners, de private equity, por perto de US$ 1 bilhão.

— É uma indústria ainda em busca de respostas. Não sei quantos shoppings podem reinvestir em seus negócios — diz Noel Herbert, analista da Bloomberg Intelligente.

A rápida queda no varejo resultou em centenas de espaços vazios nos shoppings dos Estados Unidos, num processo que pode estar apenas começando. Mais de 10% da área para locação em centros comerciais poderão ser fechados, convertidos em outros usos ou renegociados por aluguéis de menor valor nos próximos anos, segundo dados da CoStar Group avaliados pela Bloomberg.

O problema já abocanha uma fatia dos empregos no setor. De acordo com números do Departamento do Trabalho, varejistas cortaram 30 mil posições em março, mesmo patamar registrado em fevereiro, nos dois piores resultados mensais desde 2009.

Richard Hayne, presidente da Urban Outfitters, de moda jovem, não economizou nas palavras quando descreveu a situação no mês passado. Os shoppings, avalia ele, abriram lojas em excesso nos últimos anos, sendo a maioria delas no segmento de vestuário.

— Isso criou uma bolha, como no mercado imobiliário, que agora estourou. Estamos vendo os resultados: portas fechando e aluguel caindo. Essa tendência vai continuar continuar e pode, inclusive, se acelerar — diz Hayne.

No acumulado do ano de 2017, o número de lojas fechadas já supera o de 2008, quando os EUA atravessavam forte recessão, segundo o analista Christian Buss, do Credit Suisse. Aproximadamente 2.880 unidades fecharam as portas, contra 1.153 em igual período de 2016. Neste ano como um todo, o corte em lojas pode bater 8.640, bem acima dos 6.200 registrados em 2008.

A crise no varejo está contribuindo para fortalecer a tendência. A Payless está fechando 400 lojas como parte do plano de recuperação judicial anunciado na última semana. A gigantesca rede contava quase 4.000 unidades e 22 mil empregados — mais do que precisa para atender a demanda cada vez mais lenta.

Outras em concordata este ano são a HHGregg, a Gordmans Stores e a Grander Mountain, enquanto a rede RadioShack, de eletrônicos, pediu recuperação judicial para segunda vez em dois anos.

Outras companhias estão reduzindo suas redes de lojas seguindo planos extrajudiciais. As lojas de departamentos Sears, Macy’s e J.C. Penney estão baixando as portas de dezenas de unidades, reagindo a uma retração que pune em especial esse segmento.

Há aquelas tentando ressurgir como marcas de e-commerce. A Kenneth Cole declarou em novembro que fecharia quase todas as suas filiais. Bebe Stores, de moda feminina, deve dar passo semelhante, dizem fontes próximas à empresa.

— Hoje, a conveniência está em comprar de casa, pelo telefone ou pelo iPad. As razões que levarão as pessoas ao shoppings e o número de vezes que farão isso serão diferentes — disse Buss, do Credit Suisse.

AMAZON.COM DOMINA MERCADO DE VENDAS ON-LINE

Mesmo as margas que convergem seus negócios de forma agressiva para vendas on-line têm dificuldades para se aproximar do desempenho da líder desse mercado, a Amazon.com.

A companhia com sede em Seattle respondeu por mais da metade, ou 53%, das vendas feitas pelo comércio eletrônico em 2016, de acordo com o EMarketer.

Enquanto os shoppings de luxo continuam a entregar bons resultados, o êxodo no varejo está resultando em impacto negativo nos centros comerciais voltados para as classes C e D, explica Oliver Chen, analista da Cowen & Co. Há cerca de 1.200 shoppings nos EUA, e essas duas classes representam 30% do total.

A baixa varejista é mais aguda nos EUA que em outros países desenvolvidos.

— A oferta de espaços de shoppings nos EUA per capita é seis vezes maior que na Europa ou no Japão, sem contar o comércio digital — diz Hayne, da Urban Outfitters.

Ainda assim, os malls focados na classe A avançam. E a maioria dos americanos continua a comprar em pessoa. O consumidor prefere lojas físicas em 75% do tempo, de acordo com pesquisa da Cowen.

O segredo está em criar a experiência de consumo certa, tanto no comércio on-line quanto na rede física. Os varejistas devem voltar a focar no consumidor, diz Chen.

— A gestão no varejo precisa estar focada em agilidade na entrega e na cadeia de fornecedores, além de ter condições para entender, testar e entregar novas tendências — avalia.

Fonte: O Globo

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