Shopping Centers: Profissionais de Marketing vão desaparecer – e isso não é necessariamente ruim

O publicitário Júlio Ribeiro gostava de citar a diferença entre o mágico e o bruxo para explicar a importância da eficiência da comunicação de marketing. Ele dizia que o mágico sobe ao palco para realizar um número de ilusionismo e ninguém espera que a moça tenha sido de fato cortada ao meio, o que importa é o efeito. Já o bruxo é pago para produzir resultados com seus feitiços. Se o príncipe não virar sapo (ou vice-versa), nada feito, o bruxo não recebe pelo serviço.

Tudo indica que o tempo dos mágicos de marketing está ficando para trás. Várias empresas importantes, incluindo Coca-Cola, Johnson & Johnson, Hyatt Hotels e Taco Bell, simplesmente extinguiram a posição de CMO – Chief Marketing Officer (Chefe Executivo de Marketing). Outras, como o Uber, não só acabaram com esse cargo como ainda encolheram drasticamente a estrutura do departamento de Marketing. Aparentemente os velhos truques não estão funcionando mais.

Isso significa o fim do profissional de marketing? Não necessariamente. Assim como acontece em diferentes setores, para sobreviver, essas pessoas terão que se reinventar. A complexidade do mercado, a revolução digital, a intensidade da competição, a instantaneidade da comunicação e a diversidade entre os consumidores são apenas algumas das variáveis que tornaram obsoletas as práticas comuns dos velhos marqueteiros de trabalhar com perfis estereotipados, soluções empacotadas e campanhas massificadas.

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As atribuições que antes eram exclusivas dos poderosos chefões de marketing agora são distribuídas por executivos responsáveis por departamentos que não existiam no passado, como os de inovação, crescimento de mercado e experiência do consumidor, entre outros. Muitos dos profissionais à frente dessas novas áreas podem ter emigrado do marketing, depois de terem darwiniamente evoluído e agregado competências complementares, inclusive comerciais. Afinal, uma das críticas mais frequentes aos marqueteiros tradicionais é a falta de comprometimento com resultados mensuráveis.

Certo é que a própria definição do que é marketing se ampliou. Aquilo que um dia foi simplesmente uma função na empresa, tornou-se uma filosofia de negócios, o que inclui repensar desde o propósito até inventar canais de comunicação e formas de ativação de consumidores.

No universo dos shopping centers esse movimento é claro. A importância que a área de marketing tinha na década passada foi diminuindo na mesma proporção que novos desafios surgiram. A onda do marketing nos shoppings foi sucedida pela onda comercial, que a maioria dos marqueteiros preferiu não surfar. Essa, por sua vez, está perdendo força e a terceira onda, que mais parece um tsunami, impõe o protagonismo de novas tecnologias, integração de canais, desenho de ecossistema de negócios com diversificação de receitas, comunicação personalizada com base em dados e muitas outras habilidades que não eram exigidas no passado.

O trabalho de contratar e acompanhar a montagem de eventos, coordenar sorteios, escolher decorações de Natal, encomendar campanhas para datas de varejo e, eventualmente, organizar encontros com lojistas, que caracteriza ainda hoje a rotina de alguns profissionais de marketing em shopping centers, é insuficiente para enfrentar os desafios desse mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo onde vivemos.

Não demora muito, também nos shopping centers a ideia de marketing vai evoluir e até o nome do departamento será outro. Quem viver verá. Afinal, é preciso aposentar velhos conceitos, adquirir novas competências, testar novos caminhos, integrar áreas e abraçar a mudança. O tempo é de transformação, tanto para negócios quanto para pessoas.

O velho marketing está morto. Vida longa ao marketing!

* Imagem reprodução

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