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Home Artigos

A outra classe emergente

Redação de Redação
10 de julho de 2014
no Artigos, Inteligência de mercado
Tempo de leitura: 3 minutos

No Brasil de hoje é impossível não falar das classes sociais emergentes. Alguns a chamam de classe C, outros mais técnicos de classes B2/C, com critérios múltiplos de enquadramento de famílias, mas a verdade é que o foco é o Brasil que enriquece e que tem uma distribuição de renda um pouco mais justa o que ajuda a embasar o momento econômico do país. Sem dúvida esta é uma preocupação importante e que vai movimentar e balizar a atuação de diversas empresas brasileiras, que traçam suas metas em cima desta escalada econômica.

Por outro lado, é preciso entender que o mercado é multifacetado, sendo a visão exclusivamente econômica uma das possibilidades de observação. Poderíamos avaliar o mercado, por exemplo, sob a ótica das diferenças entre gêneros. Neste caso, a proporção entre homens é mulheres permanece a mesma desde o Censo de 2000 até o de 2010, 49% de homens e 51% de mulheres, porém em 10 anos o Brasil tem quase 1,3 milhões de mulheres a mais do que homens, o que por si só já denota a importância do sexo feminino nos rumos do mercado.

Mas o que gostaríamos de realçar neste artigo é aquela que chamamos de outra classe emergente, tão importante quanto a social e que se refere à distribuição etária brasileira. É sabido que a pirâmide etária brasileira está em processo de mutação, pois hoje a população de crianças e adolescente até 19 anos está em processo de diminuição. Por outro lado, as faixas mais velhas evidenciam mudanças significativas e fundamentais que devem ser incorporadas às estratégias empresariais.

Neste agrupamento mais velho, destacam-se duas faixas importantes e em processo de crescimento. Em primeiro lugar aquela que vai dos 25 aos 35 anos, incorporando parte da chamada geração Y, com todas as suas peculiaridades. A faixa entre 25 e 29 anos, por exemplo, representava 8,1% da população brasileira em 2000 tendo passado para 8,9% 10 anos depois. Outra faixa que se apresenta importante é aquela que vai dos 45 aos 59 anos, com crescimento expressivo. A faixa entre 50 e 54 anos detinha 4,2% da população em 2000 e passou a 5,3% em 2010. São tendências que deverão permanecer ao longo de, pelo menos, 20 ou 30 anos.

Por estes movimentos são importantes? Por que podem definir investimentos das empresas. Uma empresa do ramo têxtil de moda jovem deveria ampliar sua atuação para a faixa infantil ou para a faixa jovem adulto nos próximos anos? A resposta parece muito clara e, mesmo sabendo que ainda existe um mercado significativo junto às crianças, melhor seria rumar ao público mais velho, quem sabe lançando uma marca que possa acompanhar o crescimento deste público que envelhece.

Da mesma forma o foco no público crescente dos cinquentões, mais maduros financeiramente e com maior expectativa de vida mostra-se muito representativo no que diz respeito aos direcionadores estratégicos, especialmente de empresas de bens de consumo e de serviços. Da mesma forma, melhor lastrear um plano ou seguro saúde com base na grande quantidade de crianças e adolescente com uso muito menos recorrente ou desenvolver produtos que possam incorporar pessoas maduras e com probabilidades decrescentes de ficarem doentes, seja face ao avanço tecnológico, seja pela preocupação com hábitos mais saudáveis?

À primeira observação sabe-se que é muito mais difícil equacionar grande número de pessoas mais velhas com coberturas de saúde. Mas a mudança deste perfil etário é inexorável e não há como fugir da elaboração de propostas que contemplem estas peculiaridades.

As empresas brasileiras devem começar a pensar cada vez mais no médio e no longo prazo. Afastamos o perigo da hiperinflação e já não é preciso assumir um pensamento de overnight. O Brasil vive há 15 anos sem este fantasma, mas ainda boa parte das empresas teima em não pensar a longo termo.

É preciso modificar esta conduta e passar a analisar os dados e as tendências com o intuito de preparar empresas para as mudanças que estão batendo à porta e que vão ser a tônica do futuro, principalmente aquelas que estão determinadas historicamente para acontecer.

É possível que o país atravesse momentos mais ou menos profícuos em termos econômicos do que atravessa agora, pode ser que a evolução tecnológica seja mais ou menos acelerada do que vem sendo os últimos anos, mas uma coisa é verdade: tendências demográficas não se modificam de forma fácil ou rápida, salvo um cataclismo ou então os chamados eventos de ruptura como um desastre nuclear, improváveis dentro da geopolítica atual. Então por que não assumir também esta visão nos negócios?

Os dados estão disponíveis. Basta incorporar esta competência de analisá-los construindo uma base sólida para projetar o futuro e assim melhor delimitar a trajetória de sucesso dos negócios.

Por Luiz Goes, sócio sênior da GS&MD – Gouvêa de Souza e responsável pela área de Inteligência de Mercado.

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